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Arte: Rubem Filho
CENTENÁRIO DE SENGHOR SERÁ CELEBRADO EM BH
Exposição, Seminário, Sarau, Palestras e Cursos no Centro Cultural da UFMG destacam a influência da Negritude e a obra senghoriana no Brasil e no Mundo
Entre os dias 22 e 26 de maio, no Centro Cultural da UFMG, o Centro Cultural Casa África e a Mazza Edições realizarão a 2ª SEMANA CULTURAL DO SENEGAL. Este ano, o evento homenageia uma importante personalidade do mundo negro, Léopold Sédar Senghor, poeta e estadista senegalês, que inspirou e influenciou, praticamente, todas as nações da afro-diáspora. Como bem foi relatado em matéria do jornal O Tempo (17/05), por uma irônia, o Brasil, segundo país negro do mundo (que perde apenas pra Nigéria) foi o único a não decretar 2006 como ano de homenagem ao Senghor. Por este e outros motivos, este evento ganha uma importância imensa para aqueles que acreditam tanto na produção cultural quanto intelectual de extração negro-africana em Belo Horizonte.
Senghor 100 Anos
Com a 2a Semana Cultural do Senegal, o Centro Cultural Casa África e a Mazza Edições revisitam a memória e obra de um dos intelectuais que mais viveu em prol da valorização e reconhecimento das matrizes culturais africanas no processo de universalização na diáspora.
Em 2006, comemora-se o nascimento do senegalês Léopold Sédar Senghor, considerado pela historiografia mundial um dos fundadores do Movimento da Negritude, nos anos 30, ao lado de Aimé Cesaire e Leon Damas. Para ele, o conceito de Negritude é o reconhecimento do "conjunto de valores de civilizações do mundo negro", o que influenciou lideranças e movimentos em todas nações da diáspora africana, a exemplo do Black is Beautiful (EUA) e até a criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), no Brasil em 1946, liderado por Abdias do Nascimento. Como um dos pensadores da afro-diáspora, Senghor foi o idealizador do primeiro Festival Mundial de Arte Negra realizado em Dacar, em 1966, que teve a participação duma delegação brasileira representada por Abdias, um grupo de capoeiristas liderados por Mestre Pastinha, a Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, entre outros.
Nascido em 1906 e falecido em 2001, Senghor destacou-se como um dos líderes na luta de libertações das nações africanas da condição de colônias européias, galgado no discurso da Negritude com uma atuação literária respeitável no mundo ocidental, o que fez com que ele tornar-se o primeiro negroafricano a ser empossado numa cadeira da Academia Francesa de Letras. Além de ter sido um incansável estudioso da Negritude e movido por um carácter universalista, Senghor foi também um intelectual da língua e cultura francesa no mundo, o que o levou a fundar a Organização Internacional da Francofonia.
Como político, após a separação do Mali e Senegal, foi eleito o primeiro presidente da Nação Senegalesa após a independência do domínio francês em 1960, permanecendo em mandatos sucessivos como governante por 20 anos. No ano de 1977, em uma de suas visitas ao Brasil, mais especificamente na Universidade Federal da Bahia (UFBa) em Salvador, Léopold Senghor recebeu o título de doutor honoris causa da instituição; mais um entre tantos recebidos em dezenas de outras universidades pelo mundo.
Poeta de poetas, Senghor é pouco conhecido do público brasileiro. O crítico Fausto Cunha comenta que é difícil encontrar entre nós um autor que lhe faça par. Entretanto, tendo sido um dos poetas favoritos de um Haroldo de Campos, Senghor oferece à cena poética brasileira a possibilidade de uma tradição ainda inexplorada pelo corpo da nossa cultura: a reflexão de um pensador que afirmava ser a vida comunitária de seu povo o que alimentava sua criatividade. "Nesta poesia - afirmou Senghor - eu exprimo, é claro, minha vida pessoal, mas eu me exprimo sobretudo como Negro e Africano".
A Semana Cultural do Senegal de 2006 destaca-se por ser, até então, o único evento no Brasil de celebração do Centenário de Nascimento de Léopold Sédar Senghor, diante de dezenas de celebrações no mundo, principalmente nos países francófonos e grande parte das nações africanas. Para homenageá-lo, a 2a Semana Cultural do Senegal, no Centro Cultural da UFMG (av. Santos Dumont, 174, centro, BH) traz na programação:
Sarau Poético e Exposição
A partir das 20 horas do dia 22 de maio, no mesmo palco, poetas e outros artistas belorizontinos se apresentarão com seus trabalhos em meio à obra senghoriana para celebrar a vida do poeta e a negritude oferecendo um diálogo da poesia e a música. O Sarau Poético terá a participação de Waldemar Euzébio, Benjamin Abras, Leonardo Gonçalves, Sérgio Pererê, Renato Negrão, Sérgio Fantini, Dóris Santos, Grupo Poesia Hoje, Makely Ka e a Orquestra de Berimbaus Capoeira Raízes e marcará a abertura da exposição "Os Dentes do Leão e o Sorriso do Sábio", que poderá ser visitada no Centro Cultural da UFMG até o dia 9 de junho.
Seminário: Léopold Sedar Senghor + Pensamentos e Movimentos da Afro-diáspora
No auditório do Centro Cultural da UFMG, de 23 a 25 de maio, sob coordenação do doutorando em literatura comparada Amadou Abdoulaye Diop, senegalês radicado no Rio de Janeiro, o seminário "Léopold Sedar Senghor + Pensamentos e Movimentos da Afro-diáspora", que reunirá autoridades acadêmicas e culturais pra discutir a vida, obra, critica literária e influência do autor na diáspora africana.
Na terça-feira (23/5), às 20 horas, a mesa "Vida e Obra do Bardo e Imortal Léopold Sédar Senghor" contará com a presença dos debatedores Amadou Abdolaye Diop, Ousmane Sane (Senegalês mestre em Comunicação pela UFMG) e Leonardo Gonçalves (poeta e tradutor - responsável por verter para o português a poesia completa do autor a ser lançado este ano), com mediação de Marcos Cardoso (Mestre em História pela UFMG e um dos fundadores do Movimento Negro em Belo Horizonte). A segunda mesa, na quarta-feira (24), terá como tema "A Negritude e Suas Representações no Espaço e no Tempo", que será debatido por Maria Mazarello (Editora, Mestre em Editoração e Comunicação Visual pela Universidade Paris 13/França), Benilda Regina Brito (Psicopedagoga, Gerente de Educação Regional Norte de Belo Horizonte e Coordenadora da ONG Nzinga) e o angolano Eurico Josué Ngunga (Doutorando em Antropologia - IUEA/EUA), sob mediação de Amadou Diop. A última e terceira mesa, "Senghor e a Crítica Literária", mediada por George Cardoso (pós-graduando em Estudos Africanos e Afro-brasileiros pela PUC Minas e diretor de comunicaç ao do Centro Cultural Casa África), fará uma análise da obra senghoriana com os especialistas Amadou Abdoulaye Diop, Maria Nazareth Fonseca (Doutora em Literatura Comparada/UFMG), Íris Amâncio (Escritora, Doutora em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa/UFMG) e Ricardo Aleixo (Poeta, Escritor, Músico, editor da revista "RODA - Arte e Cultura do Atlântico Negro" e Curador do Festival de Arte Negra - FAN). O seminário terá entrada franca e as inscrições poderão ser feitas pelos telefones 2127-0301 e 3344-1803.
Ainda na quinta-feira, 25, às 11h30, o professor senegalês Amadou Diop proferirá a palestra "A Representação do Conto e do Mito na Organização Educacional Senegalesa - Uma Leitura do Conto L´Os de Mor Lam", do poeta-contista senegalês Birago Diop, com entrada franca.
Minicurso de História da África
Destinado a professores dos ensinos médio e fundamental e outras pessoas interessadas em conhecer melhor a história africana, o minicurso "História da África + Palestra sobre História do Senegal", a ser realizado de 23 a 26 de maio, abrirá duas turmas (manhã e tarde), para um total de 60 alunos. Com duração de 12 horas, o minicurso será ministrado pelos senegaleses Ousmane Sane (Mestre em Comunicação/UFMG) e El Hadji Diallo (Universidade Gama Filho-RJ). O valor investido pelos interessados será de R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (Meia-entrada para universitários ou mediante doação de um livro de temática afro). As inscrições podem ser feitas pelos telefones (31) 2127-0301 / 3344-1803.
SERVIÇO:
2ª Semana Cultural do Senegal
De 22 a 26 de maio
Centro Cultural da UFMG (av. Santos Dumont, 174, centro, Belo Horizonte)
Informações: (31) 3344-1803 / 2127-0301 / 3238-1078 / 3238-1079
riscado por
GEORGE CARDOSO
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9:44 AM